quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Cordel, do encantamento da dor de amar





(por Ramon Barbosa Franco)

"Tinha cauda como leque,
As asas como pavão.
Pescoço, cabeça e bico,
Chave, alavanca e botão.
Voava igual ao vento
Para qualquer direção"
- José Camelo de Melo Resende,
 em 'O pavão misterioso'


- A cena é feito um Romeu Julieta agreste. Evangelista se encanta por Creusa, que está lá no alto...
O diretor ia tecendo o mito da passarola que serviu de asas para o apaixonado resgatar a donzela, trama narrada no cordel 'O pavão misterioso', que, ali, seria transposto para o palco. Os atores, amadores em sua absoluta inocência e paixão, bebiam a concepção cênica do diretor. De boina e cabelos longos, sotaque baiano, que de mansinho, hipnotizava plateia e trupe.
- Pavão misterioso, assim, por se dizer, é feito o próprio amor: nos dá asas...
- Mas isto não é o tal do 'red bull'? - flatulou uma, mais por influência da propaganda, diária e maciça, do que numa deixa cômica comum aos comediante de stand-up.
- Não, este negócio lhe dá é hemorroidas...
"Que porra", pensou o diretor, "nunca cheguei a imaginar que o conde raivoso era esta merda de televisão..."
O ensaio ficou suspenso por alguns dias.

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