quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Vaga lume, vaga bando


(por Ramon Barbosa Franco)

Todos vieram de longe,
Mas se encontraram na mesma ilha
Se é poeta maldito, poeta caipira,
poeta da vila ou poetinha, estão na ilha.
Pode ser ilha negra, mas ela brilha.
Brilha nas trevas de qualquer tempo.
Todos vieram de longe

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Muito além da notícia


(por Carlos Andrade)

Pensar incomoda?
Acho que sim, pois o que observo nesta jornada é que quem pensa paga um preço alto. Alembro de um tempo quando meu pai era chefe de inspetoria na divisão de agricultura da minha cidade natal, no Paraná. Fazia um tempo de chuva e minha mãe mandou que eu e minha irmã saíssemos da sala. Chegou um homem de óculos e sentou na poltrona do pai. "Luzia, mande as crianças lá pro quarto", era a voz pastosa do velho antes de tomar uma noturna. Claudinéia e eu, Carlos, partimos para o quarto. "Não pode ficar aí, Carlinhos, a mãe te pega de chinelo...". Não dei ouvidos para Néia, me deitei atrás da porta e, pela fresta, pude observar e ouvir a conversa do pai com o homem de óculos.
'- Este aqui, o senhor conhece, né?'
E de uma pasta de couro marrom tirou a foto do Raimundo, filho do seu Nomar.
'- Sim, este garoto é o Raimundo, trabalhou na divisão comigo...'
'- Elemento marxista, seu Márcio'
'- Sim, eu já ouvi falar isso dele, mas o moço é trabalhador que só vendo. Inclusive foi para Curitiba estudar...'
' - Deixe para lá... Tem visto ele por estes dias?'
' - Não, desde que ele foi para Curitiba não o vejo mais...'
' - Essa, talvez o senhor não conheça....'
Mostrou a foto de Silvia, a afilhada de dona Ruth, comadre da vó Lúcia.
' - Conheço, sim senhor. É a Silvia, virou carmelita....'
' - Sim, seu Márcio. Só que anda com um pessoal 'brabo' da igreja Católica: elementos marxistas'
A conversa foi mais, o homem interrogou meu pai um tempão. Depois, minha mãe deu café para ele. Chamei a Néia e perguntei para ela: 'O que é elemento marxista?'. Ela não soube me responder.
O tempo passou, cresci e entendi aquilo que presenciei na infância. Inicialmente, ainda criança, pensei que o homem estava atrás de notícias do Raimundo, da Silvinha e de outras pessoas que saíam daquela pasta marrom em forma de foto. Aquele tempo ruim que caía em cima de casa com aquela chuva parece que anda voltando ultimamente. Muitos Raimundos e Silvinhas andam, novamente, sendo perseguidos.
Naquela infância, para saciar a minha insistência sobre o significado da palavra 'elemento marxista', o professor de catecismo, o seu Adelmo, foi curto e grosso: 'Pensar incomoda, Carlinhos. Fica quieto que isso é assunto de gente grande. Não tinha nada que ficar ouvindo atrás da porta, onde já se viu. Vai aprender como cortar cana que é melhor.'.


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Silva Freire


Palácio da Instrução abre portas para o Setembro Freire



(da Redação Circuito MT)

Começa nesta segunda (20) às 19h, no Palácio da Instrução a segunda edição do Circuito Cultural Setembro Freire. Para marcar a abertura deste evento, que segue até dia 30 de outubro, será realizada uma grande festa denominada ManiFesta onde 13 poemas de Freire serão reinterpretados em modos artístico-literários de diferentes versões. Sendo assim, quem pinta, como Jonas Barros, fez fotografia; quem fotografa, como Raí Reis, fez intervenções de tinta em seu trabalho; quem canta, como Eduardo Ferreira, fez uma instalação, bem como a escritora Marta Cocco, que também fez instalação.
Fazem parte do evento de abertura: Aclyse de Mattos, Adir Sodré, Amauri Lobo, Anna Amélia, Antônio Carlos Lima, Antônio Sodré, Benedito Nunes, Bia Correia, Carlos Roberto Ferreira, Dalva de Barros, Danielle Milioli, Davi Perez, Denise França, Eduardo Ferreira, Fábio Motta, Gervane de Paula, Herê Fonseca, Ivens Scaff, Jonas Barros, Juliano Lobato, Lêda Maira, Lorenzo Falcão, Lúcia Palma, Luciene Carvalho, Ebinho Cardoso, Luiz Carlos Ribeiro, Luiz Renato Pinto, Maihara Marjorie, Marcelo Velasco, Marta Cocco, Neneto de Sá, Rai Reis, Raquel Mützenberg, Romulo Nétto, Vera Capilé, Vitoria Basaia e Wanda Marchetti.
As obras de 38 artistas e escritores estarão expostas e serão apresentadas, além de traduzidas em obras, também em forma de performances na noite de hoje. Nos demais dias o evento assume seu cunho pedagógico e oferece oficinas a estudantes e visitantes onde a obra de Freire, que criou o intensivismo/concretismo/poema-processo, será propagada. As oficinas vão fomentar às novas gerações a arte de dar forma a poemas e criar o inusitado a todos os sentidos. São elas:
Oficina - ...como Cosme & Damião: jornal experimental, às terças e sextas-feiras, das 9 às 11h e das 15h às 17h. Será ministrada pelo Grupo de Pesquisa em Psicologia da Infância (GPPI/UFMT) sob a coordenação da Professora Daniela B. S. Freire Andrade - Departamento de Psicologia e Programa de Pós-Graduação em Educação. Outra Oficina será: Arte-educação, de terça a sexta-feira, das 9 às 11h e das 15 às 17h com o artista orientador: Marcelo Velasco.

Programação completa
do Setembro Freire 2010

20/09/2010
Manifesta: Festa de Abertura
Horário: 19h
Local: Palácio da Instrução, Pavilhão das Artes, 1º piso

21/09/2010 a 30/10/2010 - 2ª a 6ª feira, exceto finais de semana e feriados
Mostra de Arte e Literatura
Horário: 8h às 12h e das 14h às 18h
Local: Palácio da Instrução, Pavilhão das Artes, 1º piso

22/09/2010 a 30/10/2010 - 2ª feira a 6ª feira, exceto finais de semana e feriados
Visitas Mediadas
Horário: 8h às 12h e das 14h às 18h
Local: Palácio da Instrução, Pavilhão das Artes, 1º piso
Número de Participantes por Visita Mediada: 30 pessoas

22/09/2010 a 30/10/2010
Encontro com o Artista/Escritor
Horário: 9h às 11h e das 15h às 17h
Número de Participantes por Encontro: 30 pessoas

22/09/2010 a 30/10/2010
Oficinas
Horário: 9h às 11h e das 15h às 17h
Número de Participantes por Oficina: De 15 a 30 pessoas

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Ideia Fixa


Projeto foi destaque na 2ª Feira do Livro de Marília
5.000 livros entregues para as crianças e adolescentes



Sucesso absoluto a iniciativa do Colégio Cristo Rei que deve ser copiada. Pouco mais de 12.000 pessoas prestigiaram todas as atividades da 2ª Feira do Livro realizada entre os dias 16 e 18 de setembro, na cidade de Marília (SP). De apresentação de danças indígenas a show de Jass Band, de balé clássico a show circense, de escritores anônimos ao consagrado Ziraldo. Enfim, uma festa literária, cultural e educacional cujo objetivo principal foi a aproximação das crianças com os livros, com a cultura e com as artes. Objetivo este atingido a contento e é obvio que o Idéia Fixa pela Educação & Cultura não poderia faltar. Além do bate-papo com o público no dia 18 de setembro, Tânia Mara fez uma apresentação do que será o seu quarto livro e mostrou um pouco do que é a "educação" praticada nos mais distantes vilarejos, que ela visita durante as etapas do Projeto Idéia Fixa e no Rally dos Sertões.
Para as crianças presentes ao evento foram entregues 5.000 livros de histórias infantis da Fundação Educar DPASCHOAL. O projeto beneficiou ainda obras assistenciais desenvolvidas pelo Colégio Cristo Rei em várias comunidades carentes.
De contra partida, o Idéia Fixa recebeu por volta de 1.500 livros distribuídos entre, didáticos novos, doados pela Secretaria de Educação do município, enciclopédias, livros de história infantil e muitos outros doados pelo público que visitou a feira.
Além dos livros recebidos, que irão compor as mini bibliotecas do Projeto, Tânia Mara também ganhou um grande presente: a parceria com o Colégio Cristo Rei, que será um dos patrocinadores do livro Tupício - O GATO QUE NÃO QUERIA SER GENTE!. Além disto, os alunos do Colégio serão os ilustradores desta obra. "Nossa participação na Feira foi maravilhosa. Mostramos nosso trabalho, vimos o quanto ele interessa para as pessoas e o quanto é importante. Porém uma das coisas mais legais que aconteceu foi saber que as crianças do Colégio farão parte do livro, como ilustradores, e que o Cristo Rei será um dos patrocinadores. Mais um incentivo sem dúvida ao gosto pela leitura e tudo mais que uma ação como esta resultará. Vale a pena aguardar!", disse emocionada Tânia Mara.

Sobre o livro

'Tupício – O GATO QUE NÃO QUERIA SER GENTE' tem a proposta de ser um pouco mais que um simples livro. É uma narrativa alegórica de situações vividas por um animal referenciando situações humanas, e tem como objetivo principal transmitir moralidade. O comportamento do gato protagonista desta fábula ambiciona que o “certo” deverá ser copiado e o “errado” evitado.
Todos os fatos nele contidos são verdadeiros e condizem com a realidade vivida por um herói felino, que tinha tudo para ser um simples gatinho doméstico, mas que, por possuir um talento especial, acabou transformando-se em uma referência, em um exemplo.
Serão cerca de 48 páginas recheadas de lições para a vida, ação e muita emoção, não só de crianças e adolescentes, mas também de adultos, que com certeza se sentirão atraídos e envolvidos pelas mensagens deixadas por Tupício.
O livro trará ainda um formato inovador, com parágrafos em português, espanhol e talvez em inglês dentro da mesma obra.

Parceiros: Clipping Service, Fundação Educar DPASCHOAL, GALDINO WS (www.galdino.ws), RENAULT.
Colaboradores: ARTFIX, Asa Alumínio, Cherry Contábil, Ipanema Moving, Performance Academia, Radiex Produtos Automotivos, SIG Comunicação e Tendas Kagê.
Acompanhe nossas ações pelo site: www.projetoideiafixa.org
ideiafixa100@terra.com.br
(11) 8591-1324

Silva Freire


O poeta que proseou a vida em tons originais



"Ele era do mundo.
Não tinha um olhar pequeno
ou restrito sob nenhum aspecto.
Era homem acima de seu tempo"

(por Leidiane Montfort)

Ele conseguiu ver nas palavras o que não foi dito. E colocar Mato Grosso no cenário internacional de literatura com a escola intensivista. Intelectual, e nem por isso menos emotivo, Silva Freire poetizou e proseou a vida em tons originais e em construções e desconstruções de palavras que nunca perdem sua temporalidade e força. Amanhã (20) começa em Cuiabá um período de 40 dias para homenagear e disponibilizar para o público, retalhos da grandeza desse escritor nascido no distrito de Mimoso- MT. É o Circuito Cultural Setembro Freire 2010.
A viúva de Silva Freire, Leila Freire, 67 anos, ficou casada com o poeta por 25 anos- quando o conheceu ele tinha 38, ela 22. "Me apaixonei pela inteligência dele, respeitava muito seus ideais e seu talento", conta. Em 1991 o escritor faleceu e começou o esforço da família para obter o reconhecimento devido ao ilustre mato-grossense. "Cuiabá cresceu, virou uma cidade-selva e diante dessa nova dinâmica queremos mostrar que há sim espaço para a obra dele. O Setembro Freire é uma iniciativa para que ele não caia no esquecimento ou no desconhecimento da maioria da população de Cuiabá e de todo o Estado. Sua grandeza se mostra, por exemplo, no fato de conseguir cantar e decantar o amor, mesmo sem citar essa palavra explicitamente", frisa Leila.
A filha, Larissa Silva Freire Spinelli é autora do projeto e trabalhou em conjunto com a produtora Keiko Okamura e o curador cultural Luiz Marchetti. Ela explica que além de oficinas pedagógicas para crianças, adolescentes e adultos, os visitantes poderão encontrar artistas que fizeram traduções de Silva Freire. "Partindo de 13 poemas, estes artistas usam várias linguagens artísticas para desconstruir e interpretar as obras de meu pai- aliás, este é um dos princípios do intensivismo (escola que participava)- criado na década de 50- que aponta um olhar para a poesia/ escrita e percepção que não existe só o formato rígido e uno de uma palavra ou texto, mas que há outros resultados possíveis".
Uma dessas leituras possíveis será feita por Davi Perez, 33 anos. Ele é chef de cozinha e prepara uma homenagem gastronômica à Silva Freire. O profissional vai materializar de uma forma inusitada diversas palavras do universo freiriano. A performance gastronômica parte da confecção de palavras comestíveis, explica Davi. "Escolhi uma série de palavras e letras desconstruídas do amplo repertório literário de Freire- e que serão colocadas em cima de sorvetes que serão servidos aos convidados", adianta.
Juliano Lobato é poeta e participa das intervenções. Ele chama a atenção para o pioneirismo de Freire dentro da escola intensivista e do poema-processo. "Ele conseguia explorar toda a significância de uma palavra. Isso em uma época que quase ninguém havia pensado dessa forma".

Setembro Freire

Nessa segunda-feira, às 19h no Palácio da Instrução acontece a cerimônia de abertura do movimento de propagação do trabalho do poeta, advogado e jornalista Benedito Sant"ana da Silva Freire- ou simplesmente Silva Freire- conhecido pelo trabalho de intensivismo/ concretismo/ poema-processo. A programação segue até 30 de outubro.
A pesquisadora Wanda Marchetti vai participar dos jograis que serão realizados nas janelas do Palácio com o poema Canto Crespo, Olho Alho. Ela ressalta a universalidade na obra de Freire. "Ele era do mundo. Não tinha um olhar pequeno ou restrito sob nenhum aspeto. Era homem acima de seu tempo".
Já Leda Maira trabalhou o texto Mulheres de Utilidade Pública para criar uma instalação feita com tecidos e materiais descartáveis. "Silva oferece uma gama enorme de interpretações. Busco fazer uma ligação com a narrativa dele, e para tal, tive que mergulhar em seu universo. Passei a pesquisar mais e me apaixonei por sua obra. Por tudo isso é possível dizer que ele não morreu, mas que segue muito vivo no imaginário de seus leitores".
O médico e escritor Ivens Scaff também marca presença na cerimônia, ele escreveu uma interpretação particular com o tema Canoas (desenvolvido por Freire). "Esse é um tema que é comum a todo cuiabano. A literatura de Silva Freire consegue ser ao mesmo tempo, cerebral e de uma emoção concentrada em seus versos".
No Palácio da Instrução ainda se apresentarão Aclyse de Matos, Adir Sodré, Amauri Lobo, Anna Amélia, Benedito Nunes, Dalva de Barros, Denise França, Eduardo Ferreira, Gervane de Paula, Herê Fonseca, Ebinho Cardoso, Luiz Marta Cocco, Neneto de Sá, Rai Reis, Romulo Nétto e Vera Capilé, entre muitos outros convidados especiais.

(Reportagem publicada no jornal A Gazeta, de Cuiabá-MT, em 19 de setembro de 2010)

Três dias de cultura

(Japim perto do seu ninho)

Nos últimos dias a cidade de Marília viveu o clima de cultura proporcionado pela 2ª Feira do Livro realizada no Ginásio de Esportes do Colégio Cristo Rei entre 16 e 18 de setembro. As inúmeras atrações e exposições do evento levaram ao público muita diversão, conhecimento e alegria. A Feira do Livro foi uma oportunidade para que crianças, jovens e adultos tivessem maior contato com grandes editoras e livrarias, estimulando a leitura e o gosto pelos livros. Além disso, atividades como Hora do Conto, teatro e bate-papo com escritores contribuíram para mostrar que as histórias podem nos enriquecer de diversas formas. Entre as atrações da Feira estiveram muitos artistas da nossa região como o Grupo Circense Equilibrarte e a Escola Livre de Artes de Marília, além de escritores como Ramon Franco, Oswaldo Mendes e D. Rosa. O evento recebeu também participantes de fora como a coordenadora do Projeto Ideia Fixa, Tânia Mara, e o famoso autor infantil Ziraldo. A participação dos alunos foi bastante expressiva, acompanhando de perto toda a movimentação da feira. Os estudantes da Educação Infantil até o 5º ano do Cristo Rei ainda tiveram destaque recendo os livros produzidos por eles na Oficina do Texto do Portal Educacional. O Colégio Cristo Rei, assim como todos os envolvidos neste grandioso projeto, acredita que a leitura é transformadora e provoca impactos positivos na vida de seus adeptos. Por isso, favorecer a vivência, abrir caminhos e plantar sementes de cultura foram e continuarão sendo os objetivos deste trabalho.

(Fonte: Cristo Rei, www.cristorei.com.br)
(Este japim agradece a organização da 2ª Feira do Livro do Colégio Cristo Rei e a direção do colégio pela oportunidade, também ressalta a disposição de Oswaldo Mendes e a energia de Cid Cândido de Oliveira. Um abraço aos amigos da Associação dos Poetas e Escritores de Marília, nas pessoas do Corbi Barbosa e do Mário Milani)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Teatro e literatura

(Cid Cândido de Oliveira e Ramon Barbosa Franco - crédito: Rodrigo Viúdes)

O teatro e a literatura foram vividos e interpretados na manhã desta sexta-feira, dia 17, durante a programação da 2ª Feira do Livro do Colégio Cristo Rei Marília. Na primeira palestra, os escritores Ramon Barbosa Franco, autor de 'Contos do Japim' (Carlini & Caniato Editorial) e Cid Cândido de Oliveira ('O Eremita Urbano') narraram a importância da interatividade da arte e a necessidade do fomento à cultura e ao habito de ler. Cid Cândido fez várias intervenções cênicas e números de comédia-em-pé. Na segunda conferência, ministrada pelo dramaturgo e escritor Oswaldo Mendes, o Oswaldinho, os estudantes e professores do Cristo Rei conheceram a vida e a obra de Plínio Marcos, autor de 'Navalha na carne' e 'O abajur lilás'. Plínio era amigo de Oswaldinho e ambos trabalharam tanto no teatro, quanto na grande imprensa de São Paulo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

2ª Feira do Livro de Marília

(O dramaturgo Plínio Marcos)

Começa nesta quinta-feira, dia 16, a 2ª Feira do Livro de Marília, organizada pelo Colégio Cristo Rei. A programação contará com as presenças dos autores marilienses Oswaldo Mendes (dramaturgo, jornalista e escritor, autor de 'Bendito Maldito - Uma biografia de Plínio Marcos'), Cid Cândido de Oliveira (dramaturgo, ator e escritor, autor de 'O Eremita Urbano') e Ramon Barbosa Franco (jornalista e escritor, autor de 'Contos do Japim'). O cartunista e jornalista Ziraldo, criador do Menino Maluquinho, garantiu sua participação e estará amanhã, às 18h30, conversando com o público da feira. Cid Cândido de Oliveira e Ramon Barbosa Franco vivem em Marília, Oswaldo Mendes, mais conhecido como Oswaldinho, é nascido na cidade e sempre manteve o vínculo com sua terra natal. Em maio deste ano lançou 'Bendito Maldito' durante a 3ª Mostra Marília de Cinema, organizada pelo cineasta mariliense Rodrigo Grota. O livro é um dos finalistas do Prêmio Jabuti de 2010 na categoria biografia. Além de 'O Eremita Urbano', Cid possui dois outros livros de contos e peças. Atualmente prepara o lançamento de sua quarta obra.
Autores da Associação dos Poetas e Escritores de Marília (Apem), como Corbi Barbosa e Mário Milani, também participarão dos três dias de atividade cultural, que serão realizadas na sede do colégio. O Cristo Rei, uma das escolas mais tradicionais da cidade, fica na zona Leste de Marília.
Na sexta-feira, Oswaldinho, Ramon e Cid conversarão com o público no período das 10h às 12 horas. O bate-papo acontecerá no salão nobre e o dramaturgo Cid irá desenvolver algumas perfomances inspiradas na música de Sérgio Sampaio e textos de Cora Coralina e Plínio Marcos.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Quasilá em Sorocaba

(Crédito: Bruno Goes - Em pé: Mayah Sueto, Gabriel Fidelis, David Henrique, Gustavo César, Marly Bonome e Júnior Mosko. No chão: Rafael Gomes, Roberto Redler, o Jone Brabo, e Lucas Gomes)

Comediante do Zorra Total recebe atores marilienses

Em festival disputado, o espetáculo “O Herói Imaginário” recebe prêmio de Melhor Peça Interativa e duas indicações, Melhor Ator e Ator Revelação

(da Assessoria)

O grupo “Quasilá” de teatro amador participou com a peça infantil “O Herói Imaginário” do 9º Festival Estudantil SESI em Sorocaba na última semana, com a presença do comediante Roberto Redler, o Jone Brabo do programa Zorra Total da Rede Globo. O ator global foi júri técnico do evento e recebeu os atores marilienses para um debate após a apresentação, com participação dos demais jurados: Pedro Portugal, diretor de produção em Recife, e Marly Bonome, coordenadora dos cursos de Artes Cênicas e de Pós Graduação em Pedagogia do Teatro e Dança da Universidade Sagrado Coração (USC). O diretor Júnior Mosko, que é organizador do festival, também participou do debate. “Estou feliz em ver o jovem grupo ‘Quasilá’ pela segunda vez em Sorocaba, pois isto me orgulhou muito. Esta companhia veio com o intuito de participar do festival e adquirir conhecimento, parabéns pela humildade no palco e determinação”, comentou Mosko. A noite de premiação aconteceu no último sábado, dia 11, e o espetáculo de Marília ganhou o destaque de Melhor Peça Interativa (agradou o público infantil) e os atores Lucas Gomes e David Henrique foram indicados para Ator Revelação e Melhor Ator, respectivamente. A peça vencedora na categoria adulto foi “Tudo o que não Invento é Falso”, montagem do Grupo de Teatro CONTRATEMPO do Colégio Piracicabano. O melhor espetáculo infantil foi “Maria Borralheira”, do Colégio Imperatriz Leopoldina, de São Paulo. O festival recebeu mais de 170 inscrições, das quais foram selecionadas doze. Um público estimado pela organização em cerca de 4,7 mil pessoas assistiu às produções apresentadas.

Mais informações pelos blogs: www.juniormosko.blogspot.com e www.quasila.blogspot.com.

AGENDA

Com direção e texto de Gustavo César, o espetáculo “O Herói Imaginário” é terceiro trabalho do grupo “Quasilá”, que possui dois anos de vida, e conta com os atores David Henrique, Mayah Sueto, Lucas Gomes e Gabriel Fidelis. Produção visual de Oscar Rafael e colaboração de Bruno Goes. Ainda em 2010, a peça tem agenda em Lins (novembro) e algumas datas em Marília, a confirmar.

ASSESSORIA

(14) 9101-7843


Paraguaçu Paulista


6º Salão de Humor abre inscrições

(por Dênis Mendes)

É com grande satisfação e alegria que apresentamos o 6º Salão de Humor de Paraguaçu Paulista – Internacional, este ano de 2010 com muitas novidades, a começar pelo novo web-site onde vamos atualizar periodicamente e trazer notícias sobre o andamento do Salão, assim como fotos, trabalhos premiados dos eventos passados. A premiação em dinheiro também será ampliada.
Manteremos as cinco categorias tradicionais do Humor Gráfico – Caricatura, Charge, Tira, Cartum Livre e Cartum Temático que este ano terá como tema – PECADO. Um assunto mais que universal, o "pecado" está sempre se "atualizando", desde os pecados tradicionais como os sete ou mais ligados às religiões, assim como os pecados contra a natureza; pecados da tecnologia e sistemas de comunicação; da mídia ou até mesmo uma suposta ausência de pecados!...mas afinal, alguém vai atirar a primeira pedra? Que atirem muito humor e irreverência.
Será um pecado não participar deste evento.

Dênis Mendes de Moraes é arquiteto e organizador do 6º Salão de Humor de Paraguaçu Paulista

Tarsila do Amaral, 5 anos


Oficinas culturais facilitadores da cultura,
respeito aos artistas e cidadania


(por Wilza Matos)

A primeira oficina da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo a ser criada começou a funcionar em 1986, então com o nome de Oficinas Culturais Três Rios, em um edifício de 1905 no bairro do Bom Retiro, para abrigar a Escola Livre de Farmácia. Em 1990 esta Oficina passa a chamar-se Oswald de Andrade com a comemoração do Centenário do nascimento deste polemico escritor do modernismo. Em seguida foram sendo implantados outros pólos e no interior do Estado a primeira a ser implantada foi em Bauru em 1990 e leva o nome de Glauco Pinto de Moraes.
Surgem com o objetivo de oferecer formação artística e cultural ä população proporcionando acesso e oportunidade de contato com as diferentes linguagens artísticas e também da cultura em geral, oferecendo atividades principalmente para jovens profissionais e novos artistas - em áreas como artes plásticas, ação e administração cultural, cinema, dança, design, fotografia, história em quadrinhos, literatura, música, rádio, teatro, vídeo, entre outras. Hoje novas temáticas foram sendo incorporadas como arte de rua, manifestações folclóricas, memória e patrimônio histórico, abordando e valorizando a identidade cultural os regionalismos e a diversidade cultural. Hoje no total são 21 pólos sempre abrigados em prédios históricos e muitas vezes centenários, contribuindo para a preservação da memória histórica destes locais.
Sempre sonhávamos com esta oficina aqui em nossa cidade e me lembro que nos anos 90 participei de uma reunião com a presença de representantes do governo do Estado junto a então secretaria de Cultura, nossa querida Prof. Rosalina Tanuri, que diga-se de passagem fez um trabalho grandioso em prol da Cultura de nosso município. Porém embora tenha havido todo empenho possível, sobretudo da parte da então secretária de Cultura, alguns obstáculos surgiram e não foi possível a implantação naquele momento. Somente treze anos após e, neste momento jamais poderíamos esquecer o grande empenho de Ricardo Fernandes, nomeado pelo governo do Estado para ser o representante da cultura na esfera estadual em Marília, que com seu transito fácil pelo governo do Estado, fez as conexões necessárias para negociar os espaços e estruturar aqui as Oficinas Culturais.
Lembramos aqui também a funcionária Neuza que muito contribuiu para a implantação do novo Serviço. Para denominá-la foram votados os nomes de Osório Alves de Castro (escritor-alfaiate de vasta obra literária que residiu 40 anos em nossa cidade, cuja obra foi reconhecida pelo Premio Jabuti de literatura Brasileira, um dos maiores prêmios do Brasil na área) e o nome de Tarsila do Amaral, que como sabemos assim ficou batizada a Oficina homenagem justa. a pintora Tarsila do Amaral (1886-1973), artista que revolucionou a arte no Brasil.
Implantada no prédio onde funcionou o antigo Gynasium, o Industrial, construção de 1936, nas salas ao lado do Clube de Cinema, teve desde a inauguração atividade intensa. A primeira oficina que foi oferecida foi com o jornalista e cineasta Gilberto Mota, sobre Roteiros de cinema. Quando finalizado o semestre, pudemos ver no auditório Otavio Lignelli grandes apresentações circenses, teatrais, musicais, coral, artes plásticas, literatura, dentre outras.
Lembramos aqui também nomes dos primeiros arte-educadores como Ramon Franco (literatura e produção de texto), Dayse Nuevo (arte circense), Amanda Belém (artes plásticas) Wânia Lombardi e Sônia Lombardi (artes Plásticas), Sérgio Doreto (artes Plásticas) Cinara Matiotti (artes plásticas), Guilherme Brambila (Fotografia), eu, Wilza Matos, que tive a felicidade de atuar em diversas cidades e também em Marília na área de Fotografia, memória e identidade cultural, Marcos Gimenez (música) Alexandre Mascaro (coral), Ângela Montolar (artes plásticas), Ramis Pedro no Teatro (infelizmente já falecido, deixa saudades), Rodrigo Grota (cinema) e tantos outros companheiros de oficio, nomes respeitados no cenário cultural da cidade que participaram dos primórdios das oficinas contribuindo para o o despertar de talentos, desenvolvimento de novas linguagens, expandindo os territórios da arte e cultura aqui e nos 50 municípios que abrangem a região administrativa.
Atualmente sob a coordenação de Milena Denagutti, a Oficina prepara grande atividade para comemorar 5 anos de intensa atividade celebrando a alegria de ter muita historia para contar e das grandes transformações de vidas que a arte a e acultura proporciona aos cidadãos.
Aproveito aqui a oportunidade e convido a todos para conhecer o resultado das Oficinas de Fotografia realizadas nas cidades de Vera Cruz, Ocauçu e Marília, com o trabalho de 90 alunos que estará exposto ate dia 30 deste mês de agosto no Esmeralda Shopping. Em nome do grupo, deixo aqui meus agradecimentos a todos que contribuíram para este resultado e em especial aos agentes culturais, os verdadeiros facilitadores da cultura e da arte que exercem seu trabalho com profissionalismo, responsabilidade e respeito aos artistas e produtores culturais. Precisamos de mais facilitadores de cultura, estas figuras imprescindíveis! A classe artística agradece este respeito!

Wilza Aurora Matos Teixeira é bibliotecária, arte-educadora e fotógrafa

(Originalmente, este artigo foi publicado na edição do dia 20 de agosto de 2010 no jornal Diário de Marília, Marília-SP)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Manoel de Barros

'Manoel de Barros - O demiurgo das terras encharcadas', de Cristina Campos (Carlini & Caniato Editorial), será lançado no próximo sábado, dia 18, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. A obra integra o catálogo 2010 da editora Carlini & Caniato, com sede em Cuiabá (MT). Considerado por Carlos Drummond de Andrade um dos maiores poetas da língua portuguesa, Manoel de Barros foi estudado pela doutora em Educação Cristina Campos. A autora também assina outra obra pela Carlini & Caniato, 'Conferência no Cerrado', livro infantil do selo Tanta Tinta. O lançamento neste sábado acontecerá na Promedori Rotisseria, na rua Das Flores.

Osman Lins

(Osman Lins, 1924-1978)

(por Ramon Barbosa Franco)

O Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP) realiza de 4 a 6 de outubro o II Colóquio Osman Lins - Encontros, Percursos e Revelações. A programação ocorre no prédio de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e contará com a conferência da pesquisadora Elisabete Marin Ribas. O tema será 'O curso de História da Arte do professor de Literatura Brasileira, Osman Lins'. Para desenvolver esta pesquisa, Elisabete Ribas esteve em Marília (SP), pois o escritor de 'Lisbela e o Prisioneiro' lecionou no campus local da Unesp (Universidade Estadual Paulista), na década de 70. Naquela época, o campus mantinha o curso de Letras (posteriormente, o curso foi transferido para o campus de Assis, a 80 quilômetros de Marília). A conferência de Elisabete será na abertura, dia 4 de outubro. No dia 5, o professor doutor Dagoberto Arena, docente da Unesp de Marília, participará de uma palestra ao lado de Ângela Lins, filha do autor. Ainda está programado o lançamento do livro 'Transfigurações - ensaios sobre a obra de Osman Lins', escrito por Sandra Nitrini. Nascido em Pernambuco no ano de 1924, Osman Lins morou em Marília na década de 70, quando se tornou o primeiro professor brasileiro a ser dispensado de suas aulas (com remuneração mantida) para se dedicar integralmente à produção de um livro. Faleceu em 1978, deixando como legado uma vasta obra literária. Além de 'Lisbela e o Prisioneiro' (que foi adaptado para o cinema por Guel Arraes), escreveu 'Avalovara', 'Nove, novena' e 'A rainha dos cárceres da Grécia'. Antes de se dedicar à docência, foi bancário.
Mais informações sobre o II Colóquio Osman Lins da USP, www.osman.lins.nom.br. As inscrições para ouvintes são gratuitas e devem ser feitas a partir do dia 15 de setembro, pelo e-mail: coloquioosmanlins@gmail.com

A Árvore das Pipas



'A Árvore das Pipas',
de Valdeci Ângelo Garcia


(Prefácio escrito por Ramon Barbosa Franco)


Poesia é para voar, feito pipas que flutuam nos ares através das mãos de crianças. Um livro de poesia na gaveta não adianta nada, como cantou Sérgio Sampaio. Não tem serventia, não há sentido em dormir isolado entre quatro paredes. Pipas agarradas aos secos galhos de uma árvore também não, mas inspiraram o poeta Valdeci Ângelo Garcia a transportar memórias, paixões e carinhos para o lirismo das palavras que aqui, em “A Árvore das Pipas”, o leitor poderá experimentar com sabor de infância, de brincadeira, de criatividade e de crítica. Quem disse que aquelas pipas se sentiram presas naquele dia de outono quando o poeta ouviu a voz da inspiração?
Jamais.
Da mesma forma, o poeta Valdeci Ângelo Garcia não se sente preso ao criar, ao projetar em palavras, em versos, em métricas e sonetos suas convicções, seus pensamentos, suas alegrias e, claro, suas indignações e sofrimentos. Assim como as pipas, às vezes nos sentimos presos. Entretanto, sabemos que temos o vento a nos chamar e a força da poesia para nos projetar em voos, em divagações e em reflexões que nos ajudam a viver melhor.
Quem disse que as palavras morrem?
Jamais.
Palavra é para voar, feito poemas que flutuam nas próximas páginas através das mãos de Valdeci Ângelo Garcia. Ao escrever, ao querer dar folhas à árvore que ele encontrou numa rua qualquer, ao querer soltar aquelas pipas para que cumprissem sua sina de voar (pois se um livro de poesia na gaveta não adianta nada, uma pipa presa não tem serventia também), Valdeci Ângelo Garcia nos faz pensar, nos faz parar e perguntarmos a nós mesmos: “Quando foi que eu cresci?” “Quando foi que eu não mais me vi criança?” “Quando foi a última vez que posei na casa dos meus avós?”
Reviraremos nossas mentes em busca destas e de outras respostas. Forçaremos a memória e o que pudermos descobrir neste garimpo mental, certamente, servirá para o lirismo de nossas palavras, de nossas letras e de nossos poemas. Poesias íntimas que nos farão voar. Voltaremos 15, 25, 35 anos atrás e nos veremos pequenos, nos veremos pipas querendo voar.
Voem.
Voem pelas mãos do meu amigo Valdeci, poeta que tem asas até no sobrenome, asas de anjo, de Ângelo Garcia.

Ramon Barbosa Franco é jornalista e escritor. Conquistou prêmios literários nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e é coautor da biografia “Laurinda Frade, receitas da vida” (Poiesis Editora, 2009) e do livro de contos, 'Contos do Japim' (Carlini & Caniato Editoria, 2010)

Esquina do Escritor



O site 'Esquina do Escritor' divulgou na semana passada notícia sobre o lançamento do livro 'Contos do Japim', (editora Carlini & Caniato). Leiam a matéria no link a seguir e aproveitem para conhecer o portal que congrega contos de vários gêneros literários, em especial o policial: http://www.esquinadoescritor.com.br/beco_do_crime/index.asp?area=noticia&id_noticia=223

sábado, 11 de setembro de 2010

Diário de Cuiabá

(Cachoeira do Rio Araguaia, em Alto Araguaia - MT - crédito: Onofro Martins Alves)



Histórias de feira de livros no Araguaia

O DC Ilustrado traz nesta edição mais uma preciosa colaboração, de um escritor mineiro que está radicado em Cuiabá há inúmeros anos

(por Romulo Netto)
Especial para o Diário de Cuiabá

Fui convidado para participar da Feira do Livro, evento que seria realizado em Alto Araguaia, no período de 1 a 4 de setembro deste ano. O convite pegou-me de surpresa, pois de há muito tempo já me considerava um escritor esquecido, mais que isso, um escritor que jamais seria lembrado para qualquer coisa, a não ser pelos “críticos” que, de onde em onde, diziam que não perderiam tempo lendo o que escrevia. Sou vítima de meus próprios erros e preconceitos. Disto não tenho dúvidas. Mas eis que chegamos a Alto Araguaia. Sou do cerrado longínquo dos Gerais, acostumado com o sertão poeirento, que aos poucos foi sendo consumido pela fome do agronegócio que despontava. Confesso que esperava encontrar uma cidadezinha desdeixada, suja, com ruas esburacadas, e, principalmente jovens mal educados.
Como dizemos lá no meu sertão-cerrado mineiro: “caí do cavalo”. A criançada ordeira, ávida de conhecimento tomou literalmente conta da tenda e buscou as prateleiras das editoras. De onde em onde um grito de surpresa, com as capas bem elaboradas, o texto esmerado da maioria dos autores.
Assisti espantado a três cenas que não posso deixar de relatar aqui. A primeira ocorreu no penúltimo dia da Feira. O garotinho chegou arrastando a avó, literalmente, e foi logo apontando o livro Conferência no Cerrado, de Durval de França e Cristina Campos (TantaTinta/Carlini & Caniato Editorial). A avó exultava em alegria pelo fato de seu neto ter se interessado por um livro. O garotinho, creio eu, na faixa etária de nove anos, largou a mão da avó e foi correndo chamar pela mãe, exultante, por ter achado um livro de seu agrado. Em seguida a decepção: - não vou comprar nada não! Seu pai comprou um monte de livros e você não leu nenhum. Acho que nós, os que estávamos ali no estande, ficamos mais decepcionados que a criança. Porcertamente os livros que ele ganhou de presente não foram os de sua escolha, talvez não tivessem nada em consonância com seu mundo infantil, povoado e repovoado de sonhos.
Enquanto pai busquei orientar a leitura de minhas duas filhas, jamais lhes impus um texto do meu agrado. Leram alguns dos meus preferidos, de livre escolha.
A segunda cena: um esperto menino puxou conversa. Indaguei sua idade: de chofre ele respondeu: − oito anos. Ataquei novamente perguntando se já tinha lido algum livro: Ele, sereno, confiante e sem titubear: − Vários! Aguçado pela curiosidade desfechei outra pergunta: − Quantos? Dez? Em sua sábia inocência retrucou: − Mais, muito mais. Meus pais me dão livro de presente, quando escolho e leio, também, na escola. Adoro ler.
Ressaltei a importância da leitura, ainda mais, disse-lhe que buscasse nas bibliotecas públicas e, se porventura, devorasse os livros das bibliotecas públicas não se acanhasse em pedir emprestado àquelas pessoas que acreditassem que o livro seria lido e devolvido.
O menino foi embora deixando comigo um enorme vazio. O vazio provocado pela insensibilidade do poder público que ainda não acredita que a instrução é a mais poderosa arma para a construção de um País. A cultura e a literatura estão umbilicalmente ligadas à instrução. Mas esses míopes mentais não estão preocupados em atender aos anseios de uma população ávida por novos conhecimentos. Parece-me que eles pensam que construir uma biblioteca não dá, mas tira votos.
A terceira cena: um garotinho, no máximo com dez anos. Chegou ressabiado, sem saber se podia folhear o livro ou não. Elaine Caniato quase que ordenou que assim o procedesse. Aproveitei a deixa e confessei a ele que o livro é maravilhoso. O li praticamente numa sentada. Aventura: gênero que a criançada adora. Elaine debruçou sobre a mesinha e explanou em didáticas palavras o conteúdo do livro. O menino ouviu atentamente. Não comprou o livro imediatamente. Retornou meia hora depois com outros amiguinhos, para finalmente uma hora depois chegar com a mãe. Pegou o livro, abriu, folheou. E de repente o pedido: − Mãe, compra pra mim! E ela retruca: − Com o seu ou com o meu dinheiro?
Ele, rápido e certeiro como um míssil detona: − Com o seu lógico, é um presente pra mim!
O jovenzinho saiu todo contente, não sem antes exclamar: −Vou começar a ler agora.
Kuatrin, de Alexandre Tarelow, este o livro que chamou a atenção.
No sábado pela manhã eis que o menino aparece novamente. Elaine faz a pergunta fatal: − E aí? Já começou a ler o livro? Está gostando? Com a segurança de velhos leitores ele respondeu? −Sim! Estou gostando, já estou na página vinte.
Pude ver nos olhos de inúmeras crianças e jovens o desejo de adquirir diversos livros, infelizmente continua prevalecendo, acho eu, que justamente aqueles que manifestam o desejo de ter uma boa formação intelectual são os que menos condição financeira possui para adquirir este adorável sonho de consumo: um bom livro.
Confesso que participar da Feira do Livro de Alto Araguaia me ofertou a possibilidade de rever meu julgamento sobre pessoas que pouco conhecia e, ainda assim, erroneamente colocava um escudo entre elas e eu.
Preconceito que, no decerto, privou-me de bons momentos. Preconceito que, porcertamente, impediram que cultivasse a amizade de pessoas mais sábias e que muito poderiam ter me ensinado através dos tempos.
Acho desnecessário citar nomes. Elas, melhor que ninguém, se lerem este depoimento saberão de sua inclusão nesta lista. Eu só espero que elas entendam que apesar da idade, e talvez por ela mesma, fiquei mais ranzinza, desconfiado. Tranquei em meu mundo não permitindo a chegada de nenhum turista.
Entretanto sob outra óptica eu não posso deixar de citar nomes de algumas pessoas que querendo ou não me fizeram enxergar o verdadeiro mundo: aquele da construção em conjunto, do sofrimento e das alegrias compartilhados: Elaine Caniato e Ramon Carlini, responsáveis pela tentativa de me incluir na lista de peso dos escritores mato-grossenses, natos ou que como eu aqui vivem, e, mais recentemente, Marcelo Cabral, responsável, ao lado de Elaine Caniato pela criação das maravilhosas capas de meus dez livros.
Outras surpresas agradabilíssimas aconteceram. Apesar de termos trabalhado na mesma Instituição, jamais tivera a oportunidade de desfrutar da companhia irreverente de Luis Carlos Ribeiro. Durante todos esses dias pude ler claramente em seus olhos a convicção de que nasceu para ser o que é: um contador de histórias, um encantador de crianças, um abridor de portas para o fantástico mundo da literatura.
Mas, de todas essas surpresas, a maior delas, foi o encontro com Fátima Sonoda. Quando ela era estudante e eu responsável pela Comissão Permanente de Concurso Vestibular da Universidade Federal de Mato Grosso, estávamos em lados antagônicos. Não em minha visão, mas na deles, vez que sempre escolhi para coordenar e fiscalizar cada concurso vestibular alunos, independentemente de sua orientação política.
E, para coroar, outra grande surpresa: conhecer Lorenzo Falcão, a quem conhecia apenas de vista e pelos excelentes textos no Diário de Cuiabá. Conversamos um pouco e no ínterim dessa conversa pude encontrar um jornalista que ama o que faz e, ao mesmo tempo captei em suas palavras a essência que acompanha os verdadeiros escritores.
Como esquecer a professora Maria Dias de Souza Neves responsável pelo convite e a Stéphano, seu filho que, a todo momento, demonstravam reconhecimento e atenção para com este velho escrivinhador?
E, finalmente, a Cleuta Paixão, que me socorreu, praticamente me arrastando até a emergência do Hospital Municipal de Alto Araguaia onde, por duas vezes fui medicado para atenuar as fortes dores de uma já velha conhecida: a gota, mais que isso o ser humano maravilhoso que, ao lado da Maria Dias de Souza Neves soube nos contagiar fazendo com que nos sentíssemos em casa.
Uma semente foi lançada. Oxalá outros municípios mato-grossenses consigam se espelhar no trabalho realizado em Alto Araguaia.

Romulo Netto é escritor e jornalista, autor da Carlini & Caniato Editorial, entre os títulos estão 'Os deserdados da sorte', 'As Jagunças' e 'Bom-dia, Senhor Presidente'

(Inicialmente, este relato foi publicado na edição de 11 de setembro do Diário de Cuiabá, Cuiabá, MT)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Na manhã de cada dia


Santa Ignorância

(por José Domingos e Adauto Santos)

Com o peso dos desenganos,

Cada dia mais pesado

Somado ao peso dos anos,

Vivo num mundo agitado

Cheio de gente vazia

Vendo um sonho sepultado

Na manhã de cada dia

A meu tempo de menino

Se eu pudesse, voltaria

Ao riacho cristalino

E as coisas que mais queria

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Fim da juventude


Maicon Tenfen lança hoje
o romance A Galeria Wilson

(por Vinicius Batista)

O realismo proposto por um clima de romance policial logo se quebra na frase seguinte, que transporta o leitor para uma fantasia de caráter psicológico. Mais do que transitar e unir esses dois cenários, as palavras de A Galeria Wilson, o novo livro do colunista do Santa Maicon Tenfen, trazem dois aspectos importantes: as referências que ajudam a construir o sentido e revelam gostos pessoais do autor e, como afirma Tenfen, a passagem de um ciclo, com o fim de sua “juventude literária”. A obra é a 12ª lançada pelo escritor de 35 anos nascido em Ituporanga, a primeira com a editora Gryphus, do Rio de Janeiro. A ficção de A Galeria Wilson traz o personagem Marco Antônio Florestan, um empresário arrogante que trava uma busca pela esposa sumida. O caminho trilhado pelo protagonista leva o leitor a um inquieto cenário de conflito psicológico, repleto de referências que servem como pistas. O título do livro já inicia essa saga de vestígios. Wilson é, segundo o autor, uma referência ao personagem Willian Wilson, do escritor Edgar Allan Poe. Há ainda referências a músicas como House of the Rising Sun, na versão do grupo The Animals, à obra de Lewis Carrol, Alice no País das Maravilhas, e a cenários que lembram O Mágico de Oz.
– Além disso, ao encarnar em primeira pessoa personagens femininos, busco referências em escritoras como Lygia Fagundes Telles e Clarice Lispector – explica o autor.
O lançamento do livro A Galeria Wilson será hoje, no Farol Lanches, a partir das 20h.

Serviço
A Galeria Wilson
de Maicon Tenfen
Editora Gryphus
227 páginas
R$ 32,90
(Preço especial de R$ 25 no evento de lançamento)
Maicon Tenfen criou um blog para apresentar seu novo
livro, acesse www.agaleriawilson.wordpress.com
(Reportagem publicada na edição do dia 9 de setembro de 2010 do Jornal de Santa Catarina, com sede em Blumenau-SC)

O despertar

(Gato, acrílico sobre tela. Criação de Michele Neuhard, releitura de Silvia França)

(por Lesbia Quintero)

Maleca estava confusa e apreensiva na caminhonete que sacolejava pela estrada de terra. De repente, veio com nitidez, o sonho daquela noite. Havia sonhado que se olhava diante de um espelho barroco, bem antigo, e se admirava feito um Narciso extasiado, enquanto se irritava com o horóscopo chinês, lido há pouco. Como seu signo poderia ser o do porco somente pelo ano de seu nascimento? Ela tão bonita, sendo comparada a esse bicho feio. Continuou a se ver no espelho, esticou a mão até uma caixa de bombom. Pegou um e o levou até a boca, fechou os olhos e, com prazer, se entregou a um doce sonho. Acordou com um solavanco. Ao seu lado estava dom Pascoal, o dono da fazenda, acompanhado por dois homens desconhecidos. Imediatamente, a arrastaram pelo pátio. Maleca resistiu gritando como nunca, morta de medo, se retorcia, mas tudo em vão. Empurraram-na para a parte de trás do veículo e, antes de desmaiar, pôde ouvir dom Pascoal dizendo: 'Tomara que em outra vida venha mulher, para que não passe mais por isto'.

Lesbia Quintero é escritora da Venezuela, autora do livro de ensaios 'Los umbrales de Rayuela' (inédito no Brasil). Em 2008 ganhou menção no prêmio de ensaio 'Literatura Solar'. ('O despertar' - tradução de Ramon Barbosa Franco - blog da autora www.lectorcomplice.blogspot.com)

O gosto da reportagem

(José Hamilton Ribeiro - crédito: ABI)


Sindicato lança prêmio
Regional de Jornalismo
“José Hamilton Ribeiro”


Festa de lançamento do Prêmio Master de Jornalismo para sete categorias (um para estudantes de jornalismo) será em São José do Rio Preto, com a presença do homenageado


O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, por sua Secretaria do Interior e Litoral e DIRETORIA REGIONAL EM SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, lança o PRÊMIO MASTER DE JORNALISMO PROFISSIONAL 'JOSÉ HAMILTON RIBEIRO', no dia 25 de setembro de 2010, as 20 horas, na Oficina da Fama, em São José Rio Preto. O evento conta com o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas - FENAJ e Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa – FJLP.
O homenageado, veterano jornalista JOSÉ HAMILTON RIBEIRO, foi indicado em uma consulta realizada pelos diretores na Regional São José do Rio Preto, que engloba a cidade de Santa Rosa do Viterbo, onde ele nasceu em agosto de 1935. “Os jornalistas da região, resolveram homenageá-lo e manifestaram que a melhor forma de eternizar o trabalho jornalístico seria a denominação em um prêmio. É o que pretendemos fazer!”, diz a diretora regional do SJSP em Rio Preto, Daniele Jammal.
José Hamilton já confirmou participação na festa de lançamento (claro, se não tiver nenhuma reportagem à última hora), mas não apenas. Ele pretende, também, e em 2011, premiar as melhores matérias e seus autores (jornalistas diplomados) em sete categorias. Serão admitidas reportagens e matérias a serem produzidas no período de 26 de setembro de 2010 a 26 de junho de 2011. Um júri especial será formado por profissionais experientes e atuantes em grandes veículos de comunicação.
Na cerimônia de lançamento do Prêmio, participam jornalistas, convidados e representantes de entidades nacionais e internacionais de jornalistas como o SJSP, como seu presidente José Augusto de Oliveira Camargo, da FENAJ pelo seu presidente Celso Augusto Schröder (conselheiro da Federação Internacional de Jornalistas – FIJ) e do secretário executivo da Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa –FJLP, Alcimir Carmo (também secretário do Interior e Litoral no SJSP).
Na oportunidade, será entregue o regulamento do Prêmio, bem como o detalhamento das categorias, prazos e o local da inscrição(a Regional São José do Rio Preto do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, localizada na rua Major Joaquim Borges de Carvalho, 497, na Vila Angélica). Mais Informações podem ser obtidas pelo e-mailregionalriopreto@sjsp.org.br ou pelo telefone (17) 3211-9621. O regulamento e a ficha de inscrição também poderão ser acessados no "site" do sindicato: www.jornalistasp.org.br ou no blog sindjorsjrp@blogspot.com



O homenageado

José Hamilton Ribeiro, tem 75 anos de idade e 52 anos de profissão. Dentre as redações pelas quais passou, estão a Folha de São Paulo, revistas Quatro Rodas e Realidade (pela qual cobriu, em 1968, a guerra do Vietnã e onde perdeu uma perna ao pisar em uma mina terrestre). Foi ainda repórter nos programas Globo Repórter, Fantástico e Globo Rural, onde é repórter e editor. A carreira foi iniciada na Rádio Bandeirantes. Depois, atuou por 25 anos no jornalismo impresso e outros 25 anos aos projetos editoriais na Rede Globo de Televisão. É dele a publicação “Jornalistas, 37/97” que reflete a história da imprensa ao longo dos 60 anos de existência do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Ele não é formado em jornalismo, pois, já era jornalista quando os cursos foram iniciados, mas, é ferrenho defensor da formação.

Obras

Além de “Jornalistas, 37/97” (1998), o jornalista é autor de obras como O Gosto da Guerra (1969), Pantanal Amor Bágua (1974), Senhor Jequitibá (1979), Gota de Sol (1992), Vingança do Índio Cavaleiro (1997)

Prêmios conquistados

1964 - Prêmio Esso (Categoria: Regional - Grupo A),1967, 1968, 1973 - Prêmio Esso (Categoria: Informação científica, 1977 - Prêmio Esso (Categoria: Regional - Sudeste), 2004 - Prêmio Embratel de Jornalismo (Categoria: Jornalismo cultural), 2006 - Prêmio Internacional Maria Moors Cabot, ,2008 - Prêmio Brasileiro Imortal (Categoria Nacional). Nessa iniciativa da empresa Vale, foi batizada com seu nome uma espécie do gênero Anthurium, popularmenteconhecido como Antúrio mirim, descoberto pelo pesquisador Marcus Nadruz Coelho,do Jardim Botânico do Rio de Janeiro

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Redes de sentido


Rosemar Coenga lança livro em Marília

O professor universitário e pesquisador Rosemar Coenga lança nesta quinta-feira, dia 9, em Marília o livro 'Leitura e literatura infanto-juvenil - Redes de sentido'. A obra, publicada pela Carlini & Caniato (Cuiába, MT), traz artigos e pesquisas que enfocam a importância do hábito de ler na formação de professores e estudantes. Os trabalhos foram reunidos e organizados na publicação por Rosemar, que além de escritor é articulista do jornal Circuito Mato Grosso. O lançamento de 'Leitura e literatura infanto-juvenil - Redes de sentido' ocorrerá durante o I Seminário Internacional Sobre História do Ensino de Leitura e Escrita (Sihele), que é organizado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista). O evento acontece no campus da universidade, que fica na avenida Hygino Muzzi Filho, nº 737, na região Oeste.
“A obra Leitura e Literatura Infanto-Juvenil - Redes de sentido é o resultado desse entusiasmo acadêmico permeado de um quadro rico de reflexões teóricas, alargando esse universo instigante que é a leitura e a literatura infantil e juvenil”, destacou o organizador do livro. A obra conduz o leitor pelos caminhos da crítica e estimula a busca pelo conhecimento de trabalhos literários de alta qualidade estética, bem como o permanente contato com autores brasileiros expressivos da literatura infantil. Marília, por exemplo, é a terra natal de Telma Guimarães, considerada uma das principais e mais influentes autoras da literatura infanto-juvenil da atualidade. O lançamento de 'Leitura e literatura infanto-juvenil - Redes de sentido' está programado para ocorrer das 17h às 18 horas desta quinta-feira, dia 9. Outros pesquisadores que participam do I Seminário Internacional Sobre História do Ensino de Leitura e Escrita também apresentarão seus livros.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

2ª Feira do Livro de Marília

(capa por Elaine Caniato e Marcelo Cabral)


Autor
da Carlini & Caniato
participa da
2ª Feira do Livro
de Marília


O escritor Ramon Barbosa Franco, autor de ‘Contos do Japim’ (Carlini & Caniato Editorial) é um dos convidados da 2ª Feira do Livro de Marília, que acontece de 16 a 18 de setembro no colégio Cristo Rei. A instituição onde o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antônio Dias Toffoli estudou é responsável por um dos mais sólidos eventos de estímulos à leitura de Marília, cidade da região Oeste de São Paulo com 230 mil habitantes. “Um dos principais momentos da feira do livro será a palestra da professora Eliana Nogueira de Lima Pastana, que detalhará a biografia e a fortuna crítica de Osório Alves de Castro. O baiano radicado em Marília, que faleceu em 1978, conquistou o prêmio Jabuti de 1962 com a obra ‘Porto Calendário’. Assim como o mato-grossense Ricardo Guilherme Dicke, o trabalho de Osório foi elogiado de maneira incrível por Guimarães Rosa, autor que deixou em carta a sua vontade de conhecer Marília”, contou Ramon. A amizade epistolar de Guimarães e Osório, que era alfaiate de profissão, foi estudada pela professora Eliana, que também observou a convivência do autor de ‘Porto Calendário’ com outros autores de sua época, como Paulo Dantas.
A participação do autor de ‘Contos do Japim’ está programada para o dia 17, às 10 horas. Nesta mesma oportunidade, estarão participando os escritores marilienses Cid Cândido de Oliveira, de ‘O eremita urbano’, e Oswaldo Mendes, de ‘Bendito Maldito: uma biografia de Plínio Marcos’. Oswaldinho (como é mais conhecido) é um dos 10 autores finalistas do Jabuti 2010 na categoria biografia. Além de escritor, Oswaldinho é jornalista (com carreira pela grande imprensa brasileira), dramaturgo, ator e diretor.
O escritor Ramon salientou que durante a 2ª Feira do Livro de Marília apresentará todos os livros de Rômulo Nétto, também autor da Carlini & Caniato. “Minha vida literária ganhou um novo enfoque a partir do momento que conheci o trabalho de Nétto. Ele me sensibilizou à narrativa enxuta e aos temas genuinamente brasileiros, do Brasil verdadeiro”, afirmou. Jornalista de formação, Ramon salientou ainda que o evento literário congregará suas principais influências literárias. “O Oswaldinho Mendes é um escritor que admiro imensamente, além de ser uma das influências constantes por conta de sua amizade e proximidade. O Cid Cândido de Oliveira é um verdadeiro ativista da literatura e da arte marilienses. Osório é um mito, eterno mestre para todos nós” disse.
Conforme observou a comissão organizadora, o objetivo da 2ª Feira do Livro do Colégio Cristo Rei é formar cidadãos culturalmente ativos e desenvolver o gosto pela leitura. “Para isso, a escola realiza projetos e eventos que colocam o público em contato com manifestações artísticas e literárias”, observou a instituição em sua página oficial na internet. Inicialmente o escritor Rômulo Netto, mineiro radicado em Cuiabá, participaria da feira. Porém, devido à incompatibilidade de agenda cancelou a presença.

Mais informações: http://www.cristorei.g12.br/feiradolivro2010/

O medo da ilha


(por Ramon Barbosa Franco)

Em 'Ilha do Medo' o público é exposto ao suspense do começo ao fim, com forte tensão no meio. É no meio da ilha que mora o pavor. A trama te prende e você ajuda Leonardo DiCaprio e Marck Ruffalo a tentar achar o paradeiro de uma paciente perigosa que fugiu de um manicômio de segurança máxima. O clima cinza, a direção segura de Martin Scorsese e o isolamento dos personagens garantem uma narrativa excitante que convence e surpreende. As variações ficcionais revelam instantes que será melhor fechar os olhos e apenas ouvir as falas. O título não deixa dúvida: você ficará ilhado no medo. Interpretações excelentes de DiCaprio e Ruffalo.

'Ilha do medo' (Shutter Island, EUA - 2010)
direção Martin Scorsese
com Leonardo DiCaptrio e Mark Ruffalo
baseado o livro de Dennis Lehane, 'A ilha do medo'
Inicialmente, o livro de Lehane foi intitulado no
Brasil como 'Paciente 67'.

Jornal da Manhã


Livro do mariliense
Oswaldo Mendes é finalista
do Prêmio Jabuti 2010

A história de vida e arte do dramaturgo Plínio Marcos (1935-1999), escrita pelo mariliense Oswaldo Mendes, “Bendito Maldito” é um dos livros finalistas do Prêmio Jabuti 2010 na categoria Biografia.
O anúncio dos finalistas da 52ª edição do mais importante prêmio literário do Brasil aconteceu na última quarta-feira (1) na Câmara Brasileira do Livro. Foram conhecidos os 10 títulos em cada uma das 21 categorias concorrentes.
Na comparação entre os todos os finalistas, cinco autores saíram com indicação nos dois prêmios: Chico Buarque de Holanda com “Leite Derramado”, Carlos de Britto Mello com “A Passagem Tensa dos Corpos”, Bernardo Carvalho com “O Filho da Mãe”, Rodrigo Lacerda com “Outra Vida”, entre os romances, além de “Lar”, livro de poesia de Armando Freitas Filho.
Com um número recorde de inscritos (2.867 livros), o Jabuti privilegiou tanto nomes de autores conhecidos, como Luis Fernando Verissimo (“Os Espiões”) e João Ubaldo Ribeiro (“O Albatroz Azul”), como também de jovens talentos, como é o caso da gaúcha Carol Bensimon e seu “Sinuca Embaixo d’Água”. Os vencedores do Jabuti 2010 serão anunciados no dia 4 de novembro, quando cada um receberá R$ 3 mil.
Nas 500 páginas de “Bendito Maldito: Uma biografia de Plínio Marcos’ (ed. Leya), Oswaldo Mendes detalha a vida do autor de “Barrela”, “Navalha na Carne” e outras grandes peças do teatro brasileiro.
Como Plínio, morto em 1999, o também escritor e dramaturgo mariliense tem sua trajetória literária ligada tanto à dramaturgia quanto ao jornalismo. Plínio escreveu colunas para grandes jornais, como as que resultaram no livro “Histórias das quebradas do mundaréu”. Oswaldo, que ingressou no jornalismo em Marília, trabalhou em grandes jornais e revistas do País, foi subsecretário de redação da Folha de S. Paulo e atualmente é jornalista responsável da revista “Olhares”, especializada em artes e produção cultural.
“Bendito Maldito” retrata não apenas a vida e obra de Plínio Marcos, mas o comportamento do teatro brasileiro nos anos em que foi abastecido pela força dramática do autor, que legou sentimentos e críticas, verdades e sofrimentos.
Oswaldo Mendes estará em Marília no próximo dia 17 como um dos escritores homenageados da 2ª Feira do Livro do Colégio Cristo Rei, que acontece nos dias 16 a 18 deste mês, com entrada franca.
(Reportagem publicada na edição do dia 6 de setembro de 2010 do Jornal da Manhã, de Marília)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Correio Mariliense

(Oswaldinho Mendes ao lado de Sérgio Ricardo, em Marília)


Escritor mariliense é finalista do Prêmio Jabuti 2010 com o livro ‘Bendito maldito’
O escritor mariliense Oswaldo Mendes é um dos finalistas do Prêmio Jabuti 2010 na categoria Biografia



O escritor mariliense Oswaldo Mendes é um dos finalistas do Prêmio Jabuti 2010 na categoria Biografia. A obra com que ele concorre retrata a vida do dramaturgo Plínio Marcos (1935-1999). Considerado o mais consagrado prêmio literário concedido no Brasil, o Jabuti está em sua 52ª edição. O evento, que é organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), já contemplou grandes nomes da literatura brasileira como Chico Buarque (‘Budapeste’), Ignácio Loyola Brandão (‘O menino que vendia palavra’) e Cristóvão Tezza (‘O filho eterno’). No passado, foram vencedores Jorge Amado (com ‘Gabriela, Cravo e Canela’) e Osório Alves de Castro (com ‘Porto Calendário’).
Quando criança, Oswaldo Mendes conheceu o escritor Osório, que trabalhava como alfaiate na Alfaiataria Rex, que ficava na rua Nove de Julho. Outro autor que Oswaldo conheceu em Marília foi o próprio Plínio Marcos, que anos depois viria a ser biografado pelo jornalista. Plínio faleceu em 1999, mas sua vida está totalmente detalhada nas 500 páginas de ‘Bendito Maldito, uma biografia de Plínio Marcos’, obra que tem o selo da Leya.
Oswaldo Mendes tem sua trajetória literária ligada tanto à dramaturgia, quanto ao jornalismo. Plínio escreveu colunas para grandes jornais, como a que resultaram no livro ‘Histórias das quebradas do mundaréu’. Oswaldo, que ingressou no jornalismo em Marília, percorreu grandes redações. O escritor também foi subsecretário de redação da Folha de S. Paulo e trabalhou em revistas semanárias.

(Matéria publicada na edição do dia 3 de setembro do jornal Correio Mariliense, Marília)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Uma biografia de Plínio Marcos

Bendito Maldito’ é finalista do Jabuti 2010


(por Ramon Barbosa Franco)

A biografia do dramaturgo Plínio Marcos (1935-1999), escrita pelo mariliense Oswaldo Mendes, 'Bendito Maldito' é um dos livros finalistas do Prêmio Jabuti 2010 na categoria Biografia. Considerado o mais consagrado prêmio literário concedido no Brasil, o Jabuti está em sua 52ª edição. Organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o concurso já contemplou grandes nomes da literatura brasileira como Chico Buarque (com 'Budapeste'), Ignácio Loyola Brandão (com 'O menino que vendia palavra') e Cristóvão Tezza (com 'O filho eterno'). No passado, foram vencedores Jorge Amado (com 'Gabriela, Cravo e Canela') e Osório Alves de Castro (com 'Porto Calendário'). Quando criança, Oswaldo Mendes conheceu o escritor Osório, que trabalhava como alfaiate na Alfaiataria Rex, que ficava na rua Nove de Julho, na região central de Marília. Outro autor que Oswaldo conheceu em Marília foi o próprio Plínio Marcos, que anos depois viria a ser biografado pelo jornalista. Plínio faleceu em 1999, mas sua vida está totalmente detalhada nas 500 páginas de 'Bendito Maldito: Uma biografia de Plínio Marcos', obra que tem o selo da Leya.
Assim como o autor de ‘Barrela’ e 'Navalha na Carne', Oswaldo Mendes tem sua trajetória literária ligada tanto à dramaturgia, quanto ao jornalismo. Plínio escreveu colunas para grandes jornais, como a que resultaram no livro ‘Histórias das quebradas do mundaréu’. Oswaldo, que ingressou no jornalismo em Marília, percorreu grandes redações também, foi subsecretário de redação da Folha de S. Paulo e trabalhou em revistas semanárias. Atualmente é jornalista responsável da revista ‘Olhares’, especializada em artes e produção cultural. Em ‘Bendito Maldito’ o leitor observará não apenas Plínio Marcos, mas o comportamento do teatro brasileiro nos anos em que foi abastecido pela força dramática do autor que legou sentimentos e críticas, verdades e sofrimentos. O escritor e dramaturgo Oswaldo Mendes estará em Marília ainda em setembro, ele é um dos escritores homenageados da II Feira do Livro do Colégio Cristo Rei. A II Feira ocorrerá de 16 a 18 de setembro, com entrada franca. A participação de Oswaldo será no dia 17.